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Marcelo: “Saio daqui feliz, fiz tudo o que tinha a fazer e deixo um legado aos jovens'

“Esta temporada percebi que para ser importante não é preciso jogar, é preciso manter o grupo unido e compreender o treinador', afirmou.
Marcelo: “Saio daqui feliz, fiz tudo o que tinha a fazer e deixo um legado aos jovens'
NOTÍCIABárbara Jiménez/Mireia Jiménez
Marcelo compareceu na conferência de Imprensa que se seguiu à cerimónia de homenagem e despedida que teve lugar na Cidade Real Madrid: “Não penso muito no futuro, vivo sempre o momento. É difícil deixar o clube de uma vida, depois de tantas alegrias, sofrimentos, treinos, dores... dando tudo pelo clube. Vestir esta camisola é algo muito forte e belo. O futuro não me assusta, por que a história já está escrita e tive de tomar esta decisão. Estou contente comigo e a minha família também está orgulhosa. Não existem incertezas'.

'Hoje é o meu dia mais feliz, pois fiz tudo tudo o que tinha a fazer e saio feliz. Deixo um legado aos jovens. Ver jogar o Vini Jr., Rodrygo, Valverde, os jovens, não tem preço. Despeço-me e o mais importante é que eles me vejam sempre como a pessoa que sou. Quando deixar de jogar, quero que me deixem entrar no Real Madrid pela minha maneira de tratar todos por igual. Não creio que haja problema em regressar, ainda que não sinta que estou de saída. Ainda não pensei se vou ter saudades, porque não se podem sentir saudades de algo que temos'.
 
Retirada?
“Não estou a pensar retirar-me, pois acredito que ainda posso jogar e bem. Pelo amor que tenho ao Madrid. não acho que seja um problema ser no futuro um adversário. Sou profissional e no Madrid aprendi todos os grandes valores. Estou preparado para o que acontecer'.
 
Treinadores
“Depois de tanto tempo a representar uma equipa tão grande como o Madrid, tive a sorte de jogar muito, ter uma boa carreira, não ter tido muitas lesões e encontrar treinadores especiais e bons companheiros. Cada treinador tem a sua filosofia e cada um contribui com alguma coisa'.
'Nesta temporada senti um peso e uma responsabilidade muito grandes, costumava ficar muito bravo com o Ancelotti e discutir com ele, mas no dia seguinte dávamos abraços. Esta temporada percebi que para ser importante não é preciso jogar, mas é preciso manter o grupo unido e compreender o treinador, tendo aprendido muito com todos'.

O avô Pedro
“O meu avô teve uma importância gigantesca em tudo o que consegui até hoje. Deu-me sempre total liberdade para escolher o que queria, e isso fez-me crescer e amadurecer antes do normal. Vim com 18 anos para o Madrid, a minha mulher tinha 17, e eu pensava ter maturidade, mas hoje olho para os jovens dessa idade e reparo que não. Fiz tudo o que tinha de fazer e sinto-me tranquilo'.

Os adeptos
'Levo no coração o amor dos adeptos. Deram-me muitas alegrias. Num dia do meu aniversário cantaram-me os parabéns e eu nunca tinha visto nada assim num campo de futebol. Muita gente pede-me para ficar e é um gesto bonito. Fico contente por me quererem, não apenas como futebolista, mas também como pessoa, o que para mim é o mais importante'.

Futuro como treinador?
'Acho que não tenho perfil para treinar. Não me vejo como treinador. Há outras coisas em que me sinto mais à vontade. Para ser sincero, nunca percebi muito de tácticas, bastava-me jogar para desfrutar. Não tenho a mesma vontade de se treinador como tive quando quis ser futebolista'.

O primeiro dia no Real Madrid
'Foi tudo muito estranho. Só conhecia o Madrid pela televisão. Fiquei logo muito impressionado com o Santiago Bernabéu. No primeiro dia não tomei a devida consciência onde estava, mas hoje posso dizer que está a ser o melhor dia da minha vida, porque despeço-me e deixo um legado'.

Cantera e futuro
'Sinto-me um canterano. Sei como se trabalham aqui os jovens, sei como se treinam e sei praticamente tudo sobre o funcionamento da formação. Também sei como funciona a equipa principal, quando chegam jogadores jovens e apresentam uma grande margem de progressão. O futuro só pode ser prometedor'.

O filho Enzo
'Fico alterado quando o vejo jogar. É algo de loucos. Não há explicação. Vê-lo competir aqui é o que de mais forte senti como pai'.

Quem gostava que o superasse em títulos?
'Seja quem for que o faça ficarei sempre contente, e será sempre uma grande honra, orgulho e alegria. Saio daqui contente e com muitos títulos, e quem me ultrapassar também se sentirá bem'.

A comparação com Roberto Carlos
'O Roberto foi o meu ídolo. Quando se chega a um clube tão grande, há sempre grandes jogadores para cada posição. Foi difícil, pois vocês diziam que tinha chegado o substituto do Roberto, mas nunca quis sê-lo e sempre quis fazer a minha própria história como Marcelo. Para mim, na história do futebol nunca houve um lateral como ele. Eu chamo-me Marcelo e ainda estou a construir a minha história'.

A decisão de não continuar
'Tivemos uma reunião, falámos todos e decidimos em conjunto que era melhor sair agora. É algo que mexe contigo, pois não é fácil deixar o clube da tua vida, mas com o passar do tempo fui encarando melhor a situação e vi que seria uma realidade'.

Relatar a sua história
“Acho que não consigo descrever, porque sempre vivi o momento, sem pensar além dele. Aqui, deram-me a oportunidade de ganhar grandes coisas, disputar campeonatos, noites mágicas no Bernabéu. Só tenho a agradecer por ter vivido bem durante esses anos, feliz, com um sorriso no rosto. Tive a sorte de não ter muitas lesões, escolher uma boa jogada e marcar um golo... Pode-se ser talentoso ou trabalhar duro, mas se não tiver sorte é difícil”.
 
Legado
“O que deixo aqui é humildade e reconhecimento pelo que me deram, É o mais importante. Estava a falar há bocado com os meus familiares a propósito de ter conquistado cinco Champions. Disputei as quatro primeiras e a última não. E esta foi a final em que me senti mais importante, porque tive uma conversa de cinco minutos com o Rodrygo e também com o Militão, e isso não aconteceu nas outras quatro finais. É muito bonito jogar, fazer assistências e marcar um golo, mas para mim o mais bonito foi ter uma conversa com os miúdos, abraçá-los quando faltavam três minutos e esse é o legado que quero deixar. Que os jovens compreendam que tudo é possível'.
 
Sair de Madrid
“Não me sinto uma lenda. Nunca me vi como tal. Cada qual pense como quiser. Sinto-me um jogador que procura cumprir objectivos e ganhar coisas. Sobre o ano de contrato, não há problema em deixar uma equipa. O mundo não acaba agora, não vou deixar de viver por sair do Real Madrid. Existem muitas coisas bonitas que aprendi na vida para além do futebol. Tomámos esta decisão em conjunto e hoje é um dia de alegria. Estarei sempre com o Madrid e, vá para onde for, serei sempre mais um adepto. Não podia continuar no Madrid sem dar o meu contributo e queria sair pela porta principal, olhar para todos de frente e cumprimentá-los'
 
Butragueño: 'Foi uma honra desfrutar do talento e sacrifício​”
O director das Relações Institucionais do Real Madrid, Emilio Butragueño, acompanhou Marcelo na conferência de Imprensa: “Querido Marcelo, muito obrigado por tudo o que deste a todos os madridistas. Foi uma honra desfrutar do teu talento e sacrifício para valorizar esta camisola, que é a do clube da tua vida. És um dos grandes mitos do Real Madrid, o jogador que mais títulos conquistou na história. Todos te desejam o melhor e já sabes que esta é e será sempre a tua casa'.