Mourinho: “Quero contribuir com o presente e o futuro do Real Madrid”
“Temos um elenco muito equilibrado que foi feito com muita análise e muita comunicação”, afirmou à Realmadrid TV.
José Mourinho concedeu uma entrevista à Realmadrid TV após sua apresentação como treinador do Real Madrid. O técnico português analisou o que significa para ele seu retorno ao clube e como encara a temporada: “O Real Madrid, para mim, do ponto de vista profissional, é o topo de uma carreira de treinador e seguramente para qualquer jogador também. Esse é o lado profissional. Depois, no lado emocional e afetivo, é como voltar para casa. Emocionalmente é mais bonito do que a primeira vez que vim, porque na primeira vez era um sentimento de alcançar o topo da carreira de um treinador e agora é esse lado mais emocional e afetivo. Mais bonito agora”.
“Eu vejo isso como uma missão porque tem esse lado afetivo e emocional. A primeira vez, em 2010, cheguei pensando em mim, pensando que estava chegando ao maior clube do mundo e obviamente queria fazer bem por mim. Agora é diferente. Agora quero fazer isso pelo Real Madrid e não por mim. Obviamente que as duas situações estão ligadas, mas o lado emocional pesa. Eu penso no Real Madrid, não penso em mim”.
Sua missão
“Eu quero contribuir com o presente e o futuro. Quero, obviamente, ganhar. Quero que o Real Madrid volte a vencer, que é sua condição natural. Mas, da mesma forma que fiz na primeira vez, não quero mudar este sentimento de que o trabalho de um treinador não é apenas o momento, é também a preparação de um futuro”.
“As pessoas pensam que eu venho com um sentimento de disciplinar. Não. Eu venho com bom senso. O que peço aos jogadores desde o primeiro dia é bom senso. O horário de chegada, o horário de saída, o trabalho que fazemos na academia, o trabalho que fazemos no campo, o trabalho que fazemos individualmente com análises táticas... Tudo o que peço em nível de profissionalismo, em nível de respeito pela profissão e principalmente pelo clube, para mim é bom senso. E penso que eles estão aceitando isso também com bom senso. Não sei como se diz em espanhol, mas em português se diz uma máxima, uma frase muito importante para mim que é: nós não devemos trabalhar no Real Madrid, devemos trabalhar para o Real Madrid. Para mim é uma máxima que todos temos que absorver, interpretar e carregar conosco todos os dias. Isso é o que quero trazer: trabalhar para o Real Madrid”.
O Real Madrid, o melhor da história
“O futebol é fantástico porque normalmente tem espaço para muitas interpretações diferentes. Se você pergunta qual é o melhor gol da história, haverá mil gols diferentes. O melhor treinador, igual. O melhor jogador, igual. Quando você chega ao melhor clube da história do futebol e, por consequência, ao melhor presidente da história do futebol, já não há dúvidas. Você pode dizer o nome de outro clube por paixão, porque é o clube que você ama. Mas, de um modo pragmático, objetivo, é o Real Madrid. Quem fez a história do Real Madrid? Temos dois presidentes que são importantes na história. Este, na nossa história contemporânea, é o melhor presidente”.
O elenco do Real Madrid
“É um elenco que tem jogadores bons, muito bons e muito, muito bons. Não temos no elenco pontos fracos. É um elenco muito equilibrado que foi feito com muita análise, com muita comunicação, sem coração, sem emoção, sem pressão externa que poderia, como acontece tantas vezes, influenciar as decisões. Não fomos políticos. Fomos, de um lado, eu e minha staff técnica, com a análise técnica; e, do outro, o presidente, José Ángel Sánchez e Juni Calafat, com uma visão obviamente diferente que se complementa. Fizemos, para mim, um trabalho que termina com um elenco muito completo, com números muito equilibrados, onde o jogador que hoje está no banco sabe que amanhã pode estar jogando. Não é um elenco exagerado, é um elenco equilibrado, com dois jogadores para cada posição dentro de um modelo de jogo que nós pensamos ser o ideal. E eu gosto muito. Eu gosto muito também de como estão trabalhando, porque às vezes você está muito contente com o potencial de qualidade, mas depois não tem um grande feeling com o trabalho do dia a dia. Eu, neste momento, depois de seis semanas de trabalho, só tenho um feeling muito positivo com os rapazes”.
O carinho do madridismo
“Para mim, o mais importante foi de 2013 até agora. 2010-2013 foi um período incrível para o futebol espanhol, um período muito difícil de gerir. E aí, quando você está envolvido no trabalho, sente menos a conexão. De 2013 até agora, incrível, porque obviamente madridistas você encontra em todo o mundo. Onde quer que você vá há madridistas, e esse contato, esse respeito, essa amizade, eu senti de 2013 até agora. E quando foi a final de Wembley, eu estava comentando para uma emissora inglesa, não me lembro qual, e tive que ir lá, ao lado do campo. Incrível o que senti ali. Como te disse, eu não era o treinador do Real Madrid. Eu não era um treinador do Real Madrid que havia ganhado uma Champions e que pudesse fazer a conexão com aquele dia da final. E o modo como reagiram comigo ficou marcado para mim”.
Estreia na LaLiga contra o Espanyol
“Tem três pontos a mais que nós. Começaram muito bem, jogaram bem, venceram com tranquilidade. E eu digo sempre que nós, o Madrid, temos que pensar sempre no que significa para vocês jogar contra o Real Madrid. E se não pensamos nisso, se não consideramos isso, temos um problema desde o primeiro minuto. Temos que ir lá com essa consciência, temos que ir lá sabendo que cada ponto conta. Mas não tenho medo. E não tenho medo porque os jogadores estão me dando sinais de querer fazer as coisas bem, de querer fazer as coisas com seriedade, com ambição. Eles estão esperando por nós, mas nós também vamos chegar para buscar nossos pontos”.
Mensagem para os madridistas
“É muito fácil. Sou um de vocês. Sempre fui, desde que saí, e agora que estou novamente com essa responsabilidade podem imaginar o que significa para mim trabalhar para o Real Madrid. E isso é uma máxima que quero que todos dentro de Valdebebas sigam e sintam: trabalhar para o Real Madrid, que significa trabalhar para vocês”.
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