O Fórum Luis de Carlos refletiu sobre a deficiência sensorial
Organizado pela Fundação Real Madrid, esta nova edição foi realizada no Bernabéu sob o título 'Se vê com a ALMA, se escuta com o CORAÇÃO'.
A Fundação Real Madrid realizou uma nova edição do Fórum Luis de Carlos sob o título Se vê com a ALMA, se escuta com o CORAÇÃO. O encontro, que ocorreu na sala de imprensa do Bernabéu, contou com a colaboração da Fundação Cajastur, Corpay, Ecopilas, Grupo Ibérica e Grupo Social ONCE e reuniu especialistas, famílias, beneficiários das escolas sensoriais da Fundação e representantes institucionais para analisar a deficiência sensorial sob uma perspectiva global. A jornalista da Realmadrid TV Paola Castillo abriu a mesa de debate destacando que, ao trabalhar com pessoas com deficiência sensorial, nem tudo é visto ou ouvido, mas sim sentido. Em seguida, apresentou um painel diversificado de especialistas que abordaram a deficiência sensorial a partir de diferentes experiências e âmbitos.
Ángel Lucio López, presidente da Federação Madrilenha de Esportes para Surdos, ressaltou a importância de integrar o esporte adaptado dentro dos projetos educativos: “Há muitas barreiras que precisamos eliminar, barreiras de comunicação, problemas nas escolas… Muitas pessoas não conhecem a deficiência das pessoas surdas, é como se fôssemos invisíveis. Acho que todas as deficiências deveriam ser adaptadas. Promover o esporte de base entre as crianças é o mais importante, que seja inclusivo e que esteja adaptado a cada uma delas”.
Em seguida, Iara Gallego, mãe de uma aluna da escola sensorial Gaudem da Fundação Real Madrid, ofereceu uma visão próxima sobre o impacto do programa nas famílias: “Na escola, senti que a inclusão não é uma utopia, é uma realidade. Os alunos na escola se sentem incluídos, sentem que é possível e que estão entre iguais. Para minha filha, é um lugar onde não há barreiras como as que ela enfrenta todos os dias. É um lugar onde ela se sente ouvida e onde não se sente julgada, não há limitações. A escola, além de ensiná-la a jogar basquete, está ensinando estratégias e habilidades para viver em um mundo onde a inclusão não está presente”.
O técnico da seleção espanhola de futebol para cegos, Julián Martín Mejía, trouxe seu conhecimento técnico sobre como é a prática deste esporte para pessoas cegas: “Como treinador, destaco a responsabilidade de ter que guiar. No futebol para cegos, há duas posições para guias. Nesse caso, temos que ser muito precisos com as palavras e com as instruções e tentar cumprir essa responsabilidade, não apenas como treinador, mas principalmente como guia dos jogadores".
O testemunho de Paula Martín-Gromaz, mãe de Jaime, beneficiário da escola sensorial Cidade Universitária, destacou a transformação pessoal: “Conseguimos que nossos filhos tenham uma motivação semanal e que sejam cúmplices. Para eles, a vida mudou ao ter uma motivação, um esporte e poder conversar com seus amigos sobre futebol. Nós, os pais, também aprendemos. Graças à escola, aprendo todos os dias a guiar meu filho. É algo muito especial. Não é adaptação, é inclusão, porque é algo feito para eles”.
Do ponto de vista metodológico, Ana de las Heras, coordenadora de futebol e basquete da Fundação Real Madrid, detalhou como as sessões são adaptadas e qual o papel dos treinadores nesses ambientes: “Tentamos educar através do esporte. Temos três projetos sensoriais, em basquete e futebol, para deficiência auditiva e deficiência visual. Para nós, adaptar o esporte é conseguir fornecer as ferramentas necessárias para que qualquer pessoa possa, de forma autônoma, aproveitar o esporte. Utilizamos diversas estratégias para que isso seja possível e para que as crianças aproveitem ao máximo”.
O painel foi encerrado com a intervenção de Andrés Guerrero Aragoncillo, aluno da escola sensorial Cidade Universitária, que compartilhou sua experiência: “Gosto de jogar futebol, estar com meus colegas e amigos. Às outras pessoas com deficiência, digo que se animem. É muito mais confortável estar em casa, mas você perde um monte de coisas que pensa que não pode fazer. Na verdade, sempre se podem fazer mais coisas do que parece. É só se animar, e vale a pena”.
Uma iniciativa pioneira para eliminar barreiras e promover uma inclusão real
O projeto das escolas sensoriais da Fundação Real Madrid é uma iniciativa pioneira para eliminar barreiras e promover uma inclusão real. Nesta temporada, oferece futebol e basquete para crianças com deficiência auditiva nos colégios Ponce de León e Gaudem - com adaptações como a língua de sinais espanhola - e para crianças com deficiência visual na Cidade Universitária, garantindo uma participação totalmente integrada. Com esta edição, a Fundação reafirma seu compromisso com um modelo de inclusão que transforma a maneira como entendemos a diversidade e o potencial de todas as pessoas.
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